Não é difícil receber relatos e ver pela internet pessoas que sofrem com algum tipo transtorno ou sofrimento mental ocasionado por traumas que não são devidamente compreendidos por pessoas de seu convívio.

Estas pessoas geralmente são criticadas e classificadas como fracas, que se deixam levar por situações sem importância e que deveriam esquecer as questões que a afligem, buscando seguir adiante.

O termo “depressão não é frescura” não é a toa, pela quantidade de pessoas que realmente enxergam as enfermidades mentais como algo simples de lidar e evitar.

Dentre as falas mais comuns temos: “Ocupe sua mente que com o tempo passa”, “Você é fraco, precisa aprender a superar isto”, “Se fosse eu já tinha tocado a vida” ou “Isto não foi tão importante, quando vai passar?“.

É preciso entender e enxergar que acusar uma a pessoa de ser fraca, incompetente, que não sabe vencer os seus próprios problemas e conflitos, que está com vitimismo ou até mesmo se aproveitando da situação para ter ganhos secundários, denota uma extrema crueldade e falta de solidariedade.

Se coloque no lugar da pessoa…

Cada um “sente na pele” suas dores e pesares e não cabe a ninguém julgar ou desvalorizar a magnitude destes problemas. O mundo como um todo precisa urgentemente de mais empatia e menos julgamento.

E cada um também tem o seu tempo e seus recursos psicológicos para superar uma depressão, uma crise de ansiedade, um trauma, um luto ou uma dor.

As pessoas estão imediatistas, esperando que tudo precisa ser para ontem. Hoje em dia, as pessoas não têm sequer o direito de trabalhar suas próprias angústias e aflições.

Quanto à necessidade de superação e fortalecimento da resiliência, isto é indiscutivelmente positivo, válido e necessário. Mas é preciso incentivar isso de forma diferente, enxergando as razões e dificuldades da pessoa.

Ou seja, somente quem vivencia a depressão, a dor de um trauma e o medo de não ter controle da própria mente sabe que embora seja necessário se reestruturar, esta tarefa pode não ser tão simples, nem fácil. Lembre-se sempre: o sofrimento mental não é vitimismo. É dor. É desespero.

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Sobre mim

Dr. José Dircksen é um profissional que atua no ramo de atividade de Psiquiatria e Medicina Psicossomática.

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